Isentar de culpa quem age supostamente bem-intencionado, seja com “bom senso” ou imbecilizado pelo “calor do momento” ou mesmo no “cumprimento do dever” e esquece de se retratar e se desculpar, é como participar do delito.
– O tal “bom senso” só existe para quem pensa exatamente igual a mim, tem a mesmo opinião ou está com uma arma na cintura. Em toda obra de Freud não se encontra nenhuma linha dedicada ao “bom senso”, para Picasso era o responsável pela falta de criatividade. Isto que o leigo chama de “bom senso”, o acadêmico chama de “senso comum”, com toda certeza, não é ciência nem é lei, ou seja, não vale na escola, não vale na faculdade, não vale para o juiz, não vale no condomínio e não vale para a vida;
– De um jeito muito parecido, o “calor do momento” ressalta a instabilidade do jumento enfurecido e só esquenta quem é descontrolado mesmo;
– Quando só se “cumpre o dever” é porque se faz muito menos do que poderia;
– Esquecer de pedir perdão é assumir uma assombração eterna que vai justificar todas as merdas que ainda se vai fazer sem carregar o peso da culpa – está é também a definição do psicopata, inclusive.
Para quem age destas formas, tudo de errado que acontece tem um culpado que nunca é ele, tudo de ruim que acontece não tem solução e se tivesse não seria o “seu dever” consertar.
Condenar inocentes é muito mais fácil do que confessar a culpa ou reparar e é aqui que a tese da psicopatia pega mesmo.
“
Boston, Estados Unidos, início dos anos 1920. Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, dois imigrantes italianos anarquistas, são detidos pela polícia, acusados pelos assassinatos de um contador e de um guarda. O julgamento foi político e não considerou a justiça, pois ambos eram estrangeiros e seguiam uma doutrina política oposta ao conservadorismo que detinha as rédeas do poder no país. Não foram absolvidos nem mesmo quando, cinco anos depois, um outro homem admitiu a autoria dos crimes. Acabaram condenados à pena capital e executados por eletrocução em 23 de agosto de 1927.
” (http://43.mostra.org/br/filme/6396-Sacco-e-Vanzetti)
A intolerância, tantas vezes justificado por um conservadorismo autoritário ou por apego a falsos valores morais e religiosos, parece não ter limites e é hoje o grande câncer da humanidade, tentando se enraizar na alma humana, busca atingir em metástase todo o planeta. Este mal que vem atingindo agora com tudo as redes sociais, muitos veículos de comunicação e formadores de opinião, vem sendo patrocinado por quem não suporta mais conter seus demônios e, em vez de confessar suas culpas ou tentar se redimir, tenta distribuir suas assombrações a todas as suas vítimas e tantos outros inocentes.
No outro extremo, a falta de preparação para a vida e na busca por verdades imediatas, os mais fracos, carentes de preparo e reflexão, são atingidos em cheio, quando a estes lhe são oferecidas soluções de forma rápida e facilmente digerível, cheias de marketing ensaiado, com muitas gravuras, cores e vídeos que nem se precisa ler. Ler se tornou o grande tropeço das pessoas, com o avassalador progresso da multimídia no catequizador portátil que todo mundo carrega e passa dois terços das suas vidas (ou mais), abestalhado, com ele na mão a se enebriar com suas eternas novidades estampadas durante cada segundo do dia inteiro, vídeos e imagens conseguem dizer tudo.
Entender, curtir (Like!) e aprender nunca foi tão fácil – ser enganado e se tornar um zumbi abestalhado, mais ainda!
– Para ajudar a manter o canal, não esqueça de deixar seu like, dar um joinha, se increver e mandar dinheiro. A consciência branca, os bons costumes, a família e deus vão te acompanhar.
Continua em “O pior cego é aquele que não quer ler”