Eu, por mim mesmo
Esta é a melhor sessão deste site. Eu não esculacho ninguém porque vou falar de mim, a pessoa mais maravilhosa que eu conheço depois de todas aquelas que me amam.
Sempre fui maravilhoso, desde que nasci, e é aqui que tudo começa:
1956, maio, dia 10 – Nasci numa noite fria e tumultuada pelo que lembro que minhas tias me contavam, no Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre. Minha mãe teve complicações com minha gestação e ficou por um período longo sem visão, por isso creio que algumas descrições são de minha tia, que era casada com o irmão mais velho do meu pai e nos acompanhava frequentemente.
Naquele tempo as crianças nasciam em casa, com parteiras, mas eu sempre quis ser diferente. Minha mãe teve complicações no meu parto e foi um dia atípico até para o hospital pois foram seis nascimentos atendidos em uma mesma noite, cinco meninas e eu, menino e com o menor peso porque saí um pouco antes da hora.
Minha tia (ou minha mãe) me contava que, enquanto fiquei no hospital, quando tinha de sair do berço, as enfermeiras me colocavam embaixo e todas as outras por cima para que eu já pudesse sentir o peso daquela estatística de gêneros tão desparelha, mas isso se inverteu totalmente com o passar do tempo e como maior dádiva do universo, entre 5 ou 5 milhões eu encontrei uma única melhor pessoa do mundo para me completar com quem eu me casaria 5 milhões de vezes se preciso fosse. Um fato extraordinário acontece assim: pessoas diferentes se encontram em uma situação única para viver o momento mais especial de suas vidas, que pode durar para sempre – é ciência.
– Crescer pequeno e em uma família pobre, pode dificultar um pouco as coisas, mas nem senti tanto assim.

Apanhava sempre quando saia de casa, de quem se desentendia comigo (os primos) e era maior, na maioria das vezes, e do meu pai quando voltava para casa por ter provocado brigas, ou por quebrar alguma coisa na casa da tia (o que sempre acontecia, obviamente).
Na minha infância apanhar não deixava mágoas, o comportamento das pessoas pobres era rude porque a vida era muito rude com elas, meu pai era a pessoa mais rude e mais compreensiva que conheci na infância e durante o resto dos anos que ele viveu.
Quanto a ter de quebrar as coisas sempre, fazia parte do meu espírito investigativo querer entender como as coisas funcionavam (e não tinha manual). Adorava o meu psiquiatra, mas não tava nem aí para entender o comportamento humano, meu interesse eram os materiais. O psiquiatra fica por conta da minha mãe que desconfiava que eu era louco, eu acho – prá levar alguém pobre ao psiquiatra naquela época a coisa tinha de ser séria – hoje como um pai moderno eu me chamaria de hiperativo, muito mais charmoso por sinal.
Imagino hoje que tenha herdado a inquietação da minha mãe que era uma mulher linda, cheia de ideias e sonhos, muito além do que sonhavam as donas de casa da época.

Na adolescência e juventude a coisa muda, na rua as influências são muito mais marcantes e o espírito rebelde das eras que vivi eram muito mais expressivos (e explosivos) do que o ambiente doméstico. Vivi o despertar da rebeldia antiditadura militar e a força do “rock and roll” só para começar. Mais tarde viriam as lutas trabalhistas, as conquistas materialistas e a busca pela estabilidade geriátrica. Continuo vivendo minha juventude, época de ouro que eu curto até hoje!

Parecia o fim da história, não foi, ainda tinha pela frente o Espaço,
…A Fronteira final!
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Um novo Horizonte …
Provavelmente não vou conhecer a Lua ou Marte (nem quero arriscar, viajar para a Europa já me assusta, mesmo sendo maravilhoso), mas adorava filmes de ficção científica nos anos 60 e 70 (século passado) com viagens ao espaço e a outras eras, todos cheios de heroínas de minissaia e um monte de coisas quebrando e explodindo, além disso ví o homem pisar na Lua em uma TV branco e preto com definição de menos de 500 linhas, emocionado. Na terra, eu só queria ser cantor de rock quando jovem: amava com os Beatles, protestava com Bob Dilan e xingava com Raul Seixas.

Desde cedo gostava muito de estudar e tinha muita facilidade e projeção com meu desempenho em matemática e ciências – era o meu trunfo, sem sucesso no futebol, sem dinheiro para comprar uma guitarra, me virava com a fama de sabichão e inteligente.
Fiquei adulto e idoso mantendo a fama, estudei muita física e matemática na Faculdade de Engenharia Elétrica e cursei algumas cadeiras na Faculdade de Composição e Regência, queria seguir os irmãos Keiton e Kledir (Os Almôndegas), mas aí ser pobre foi determinante, não tinha como cursar engenharia e ditado musical para cantar no coral da UFRGS sem ter muito tempo de dedicação e eu precisava de muito dele para trabalhar e manter a família já formada. Acabei abrindo mão de quase tudo por um bom emprego, mas nunca deixei de sonhar.

De acordo com o professor Perluigi Piazzi (*2 – do Youtube), a gente dorme para sonhar, e como eu tinha pouco naqueles tempos, vivia sonhando acordado mesmo.
Sobre sonhar, acredito que a gente vive duas vidas, uma de dia (de olhos abertos) e outra no sonho, a do sonho sempre parece mais fantasiosa, surreal e muito mais maluca que a vida do dia, onde a realidade aparece a toda hora na tua frente pra cortar os teus baratos. Então, sem dúvida, sonhar me levava (e ainda leva) muito mais longe, principalmente em uma era sem tanta multimídia, sem tela grande e sem realidade em 3d como existe neste século.
Sonhar sempre vai te levar além, mesmo nos dias de hoje, por isso nunca paro de sonhar, acordado mesmo.
… este relato cronológico continua em “Hora de crescer e ficar velho”, porque agora vou dar uma pausa para fugir da fria realidade da física convencional, hoje entendo que a vida não é simples assim, certinha, cronológica e previsível, quase sem graça.
Viver é muito mais e reviver melhor ainda – experimenta o “Túnel do Tempo” pra ver.